frase

Palavra alguma vale o delírio de ser poema sem ser alívio...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

PALAVRAS REVOLTADAS




 Minhas palavras ficaram cansadas

Cansadas de mim que as escrevia

Pois muitas vezes fiz rimas forçadas

Querendo dizer o que eu nem sentia




Senti as minhas palavras magoadas

Magoadas comigo que tanto as prendia

À minha vontade sentiam-se amarradas

Em meus versos como eu as escrevia




Então as palavras ficaram revoltadas

Fizeram contra mim uma rebelião

Lutavam para serem libertadas

Por isso matavam a minha inspiração




Mas eu pedi às palavras que me perdoassem

Perdoassem a minha tamanha ignorância

Prometi-lhes a liberdade de se calarem

Com a minha alma em concordância




E eu pedi às palavras que voltassem

E me trouxessem de volta a inspiração

E que nunca mais me abandonassem

Pois não suportava mais a solidão




Eu implorei às palavras, e elas ouviram

Ouviram-me e vieram me perdoar

Mas uma coisa só me pediram

Que nunca mais as impedissem de voar.

( NLC )

4 comentários:

Samuel Balbinot disse...

Boa tarde poetisa querida.. as palavras jamais se revoltam contra nós.. pelo contrário elas se sentem felizes em serem pronunciadas..
acho que todo este mundo de métricas e sílabas esta deixando vc tristinha...
espero não ter lhe importunado com elas..
vc escreve tão bem.. seja com ou sem métrica.. deixe sim tua alma voar..
pois ela sempre vai dar voos mais altos..
beijos meus Nara
até sempre

Yehrow disse...

Que voem somente as benditas "palavras", porque as malditas podem voltar-se contra àqueles que a proferem. Estas devem ficar para sempre enclausuradas sem chance de liberdade.

Grande beijo do Yehrow.

Nilson Ferreira disse...

Poder de criação, perceber quando as palavras se revoltam, quando elas querem existir e quando elas se escondem dentro da gente impedindo que contemos nossa história, mas mesmo assim a sua sensibilidade em lidar com a situação nos presenteou com um grande poema. PARABÉNS POETISA, esse meio poeta aqui, se rende à sua Criação.
COM CARINHO
CARINHOSO
CARINHOSAMENTE
NILL
CRUZ

Anônimo disse...

Quando as palavras se calam e o coração nada fala e a estrada da poesia fica assim, tão emudecida e entristecida, feito um sentimento homicida que nos detona por dentro, dói-nos a dor de tudo o que não vivemos, mas há que se refazerem os caminhos, bordar de novo os pergaminhos da alma e, assim, quem sabe as palavras nos digam da realidade de nossos sentimentos para que nos encontremos, novamente, em poesia.
Beijos, minha linda poetisa. ;)
(Homero de Luca) (".)(.")\