frase

Palavra alguma vale o delírio de ser poema sem ser alívio...

domingo, 16 de agosto de 2015

RECONSTRUINDO-ME


Quebrei-me

E doeram-me todos os cacos

Esfaqueei-me

Arrancando-me os pedaços

Abrindo buracos em mim

Doendo e sangrando

Num flagelo sem fim

O coração dilacerando

Não quis mais viver assim...



Remendei-me

Colei os pedaços, sobre a mesa

Como peças imperfeitas

Juntei pedaços de tristezas

Em remendos indecifráveis

Montei o quebra- cabeça

De emendas tão frágeis...


Agora peço a quem me tocar

Que tenha um cuidado enorme

Pois eu posso desmanchar 

É delicado até que cole

Evito toques inconsequentes

Sei das rachaduras que fizeram

E me levam a temer eternamente

Pois emendas, tão fáceis se quebram...

(NLC)




4 comentários:

Anônimo disse...

SERGIO NEVES - ...estás muito inspirada ultimamente, menina! (...se bem que, confesso, escrevi isto mais por ser uma expressão bem contundente,...o que seria mais certo seria dizer: ...sempre foste muito inspirada, menina! ...muito além do normal! ...e esse teu poema é um exemplo marcante disto! ...profundo e belíssimo! / (...agora, se porventura um toque meu em ti houvesse, não precisarias se preocupar,...seria com toda a delicadeza, conforme fosse a tua satisfação,...evitaria os toques inconsequentes...) / Carinhos.

Anônimo disse...

Lindíssimo. 👏👏👏👏👏👏💗🌹
Patty Freitas

Yehrow, Adônis, ou quem quiser eu seja. disse...

O remendado e colado nunca ficam igual ao que era antes. As cicatrizes não há como ocultar. Poeticamente é um lindo sofrer! Como tu bem o sabes dizer. Abraços.

Mel disse...

Adorei o seu Blog!
Abraços com carinho
mel