frase

Palavra alguma vale o delírio de ser poema sem ser alívio...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

TSUNAME DE LAMA




Desceu o rio de lama

Num rastro de destruição

Era lama de minério

Inundando casas e a plantação

Fez da cidade um cemitério

Engolindo tudo em seu lamaçal

Barragem de rejeitos rompida

Desastre nunca visto igual

Destruiu tudo que tem vida

Maior catástrofe ambiental.

E no Rio, Doce de outrora

A lama impiedosa desaguou

Afetando tantas cidades agora

Na época que a piracema chegou

E os peixes que vieram procriar

Num rio de lama pereceram

Milhares boiando a agonizar

No meio da lama morreram

Destruída toda uma cadeia alimentar

Plantas e animais que desapareceram...

E agora segue para o mar

Um rastro de destruição deixando

Que multa nenhuma pode pagar

De Minas ao Espírito Santo

O dinheiro não pode comprar

A natureza violentada que clama...

E ficará pra sempre na memória

Como o tsuname de lama

Marcando assim a   história

Da nossa triste Mariana

(NLC Poesias)



*Piracema é o nome dado ao período de ovada dos peixes, quando eles sobem os rios até suas nascentes para desovar .

Um comentário:

Marcos Flavio disse...

Belo poema, mas triste realidade.