frase

Palavra alguma vale o delírio de ser poema sem ser alívio...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

AS CORES DO AMOR




Se um dia as cores se apagarem
E tudo ficar confuso e cinzento
Se os  sentimentos  desbotarem
E o canto virar apenas lamento


Se um dia  poeta e poesia
Não comporem mais em sintonia
 Nem em versos e rimas de paixão

Com palavras que nasciam do coração

Usaremos a  tinta da compreensão
E mudaremos nosso mundo sem cor
Pintaremos assim com exatidão
Descobrindo novas cores para o  amor


E assim a gente aprenderia
Sem medos e sem dores
A ser pra sempre poeta e poesia
E pintar a vida de outras cores


Descobrindo assim todo  dia

Motivos que nos façam inventar
Novas rimas, para que a poesia
E o poeta, com amor possam versar.


NLC Poesias

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PERDI-ME





Eu tinha um velho álbum de fotografia



Onde estão as lembranças do que perdi


E relembro a menina que fui um dia

E que hoje anda tão longe de mim


De um olhar inocente e sorriso confiante

Tinha sonhos que na memória eu guardei

Conceitos e valores que eu conhecia antes

E hoje por onde anda , eu já nem sei



Espantoso é constatar que só agora percebi

O álbum que continha o meu olhar e o sorriso

Nos caminhos por onde andei, eu o perdi

E dele me esqueci, sem eu me dar por isso


E doeu-me muito perceber e relembrar

Deram-me as lembranças e a memória

Despedi-me de mim sem mesmo notar

Que em algum lugar deixei a minha história


Eu tenho pena da menina do retrato

E choro ao lembrar o sorriso que ela tinha

Perderia em algum lugar do meu passado

A alegria, a inocência , a confiança... E ela nem sabia

(NLC Poesias)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

TSUNAME DE LAMA




Desceu o rio de lama

Num rastro de destruição

Era lama de minério

Inundando casas e a plantação

Fez da cidade um cemitério

Engolindo tudo em seu lamaçal

Barragem de rejeitos rompida

Desastre nunca visto igual

Destruiu tudo que tem vida

Maior catástrofe ambiental.

E no Rio, Doce de outrora

A lama impiedosa desaguou

Afetando tantas cidades agora

Na época que a piracema chegou

E os peixes que vieram procriar

Num rio de lama pereceram

Milhares boiando a agonizar

No meio da lama morreram

Destruída toda uma cadeia alimentar

Plantas e animais que desapareceram...

E agora segue para o mar

Um rastro de destruição deixando

Que multa nenhuma pode pagar

De Minas ao Espírito Santo

O dinheiro não pode comprar

A natureza violentada que clama...

E ficará pra sempre na memória

Como o tsuname de lama

Marcando assim a   história

Da nossa triste Mariana

(NLC Poesias)



*Piracema é o nome dado ao período de ovada dos peixes, quando eles sobem os rios até suas nascentes para desovar .